Adotei duas irmã após elas terem sido rejeitadas por 65 famílias

Veja a seguir o emocionante relato da mãe Maricella Korhonen que adotou meninas de 9 e 10 anos

Após anos tentando engravidar e a descoberta de que eram inférteis, Maricella Korhonen e seu marido decidiram optar pela adoção. Primeiramente, o casal norte-americano optou por se tornar uma família acolhedora, ou seja, eles receberiam crianças em suas casas por um período de tempo até que elas pudessem retornar para suas famílias e/ou serem adotadas por outras famílias.

Desde o início, o plano do casal era adotar um bebê. Por isso, eles optaram por receber apenas bebês e após quatro pequenos terem passado por sua casa, eles receberam uma ligação inesperada.

A assistente social gostaria de saber se eles poderiam receber duas meninas. Elas eram irmãs, tinham 10 e 9 anos e 65 famílias já haviam rejeitado recebe-las. E então, Maricella e o marido decidiram que seriam a família acolhedora destas meninas.

“Meu marido e eu sofremos com infertilidade e por isso decidimos adotar. Primeiro, começamos como uma família acolhedora, ou seja, as crianças ficavam um tempo em nossa casa, sob nossos cuidados até que pudessem voltar para suas famílias ou serem adotadas por outra família. Quatro bebês ficaram sob os nossos cuidados desta forma e depois acabaram voltando para seus pais biológicos. Até então, havíamos decidido aceitar apenas bebês”, contou Maricella em depoimento ao portal Love What Matters.

Então, Maricella recebeu uma ligação sobre duas irmãs com nove e dez anos. “Um dia eu recebi a ligação sobre duas irmãs, com 9 e 10 anos, que estavam dormindo em um dos escritórios da equipe de assistência social. Nossa família era a 66ª para a qual eles ligavam, todas as outras haviam rejeitado as meninas. Eles não conseguiam encontrar uma casa para as meninas. Nós éramos jovens, sem experiência e não nos sentíamos prontos para crianças maiores. Mas mesmo assim, senti em meu coração a necessidade de aceitar receber as meninas. Se não as aceitássemos elas provavelmente seriam separadas e nós não queríamos separar irmãs. Eu aceitei receber as irmãs, mas confesso que tinha uma série de medos passando pela minha cabeça. Tínhamos medo de não conseguirmos nos conectar com as meninas ou de elas serem muito difíceis de lidar”, recorda-se Maricella.

Ela se recorda muito bem do primeiro encontro com as meninas. “Eu me lembro de abrir minha porta e ver diante de mim duas meninas com frio e chorando. Elas vieram para nós só com a roupa do corpo. Elas não conversavam conosco e nem chegavam perto de mim. Elas se recusavam a dormir em camas separadas porque tinham medo de serem separadas, elas já haviam sido separadas em outras situações. Elas tinham medo de se aproximar porque já haviam sofrido abusos em outros lares”.

Maricella também se recorda do que sentiu nos primeiros momentos com as filhas. “Eu me lembro do quão preocupados nós estávamos. Existem muitos mitos sobre a adoção de crianças maiores e nós acreditamos em todos eles. Nós estávamos esperando o pior. E o que recebemos duas meninas que estavam machucadas e com medo. Foi difícil, mas com o tempo e muito amor e cuidados, a barreira que elas haviam criado começou a ceder e nós passamos a notar pequenas mudanças. Eu nunca pensei que meu coração iria explodir de amor só porque uma menina me deixou pentear os cabelos dela. Ou que eu iria chorar de emoção ao ouvir o primeiro: ‘eu te amo’. Eu entendo muito o lado delas. Afinal, é preciso ter muita força e fé para se abrir novamente para dois estranhos, mesmo correndo o risco de se machucar”.

Após um bom tempo de convivência com as meninas, Maricella e o marido decidiram que gostariam de adotá-las para sempre! “Após as meninas terem ficado 1398 dias em lares temporários, sendo que 433 foram conosco, a assistente social nos perguntou se nós gostaríamos de adotá-las. E nós não pensamos duas vezes. Tudo o que mais queríamos era sermos a mãe e o pai delas. Agora não somos mais a família temporária delas, somos a família delas para sempre! Elas terão nosso sobrenome e elas serão nossas filhas e nós seremos sua mamãe e seu papai”.

O casal ouviu alguns comentários negativos sobre adotar crianças mais velhas. “Algumas pessoas nos disseram que adotar crianças maiores significa que perdemos parte da vida delas. Mas eu não sinto isso. Nossa vida juntos é algo novo para todos nós! Eu amo vê-las animadas para fazer algo novo. Nós não estávamos lá quando elas nasceram ou para ver seus primeiros passos. Mas agora nós estaremos com elas para sempre. Nós não vamos perder nenhum outro dia da vida delas. Quando elas chegaram até nós, começamos a ter várias primeiras vezes! Nós amamos ver essas duas meninas sorrindo após terem passado por tanta coisa na vida. Nós apreciamos cada abraço que elas nos dão e amamos estar por perto em cada nova descoberta. Paternidade e maternidade não acaba quando as crianças crescem, é algo para a vida toda”.

“Nós somos muito felizes por termos adotado crianças maiores! Adotá-las foi a melhor decisão de nossas vidas. Eu não consigo imaginar a vida sem as minhas filhas. Adotar crianças maiores era algo que eu e meu marido nunca havíamos pensado , quando decidimos adotar, pensávamos em adotar um bebê. Nós não nos sentíamos preparados para crianças maiores. Mas hoje eu percebi que nós nunca estamos completamente preparados para a maternidade/paternidade independente de ser um bebê ou uma criança maior. Quando você ouve seu filho maior te chamar de mãe ou pai pela primeira vez, seu coração derrete, faz todo o esforço valer a pena. Nossas filhas nos escolheram tanto quanto nós as escolhemos”, concluiu Maricella.

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