O que se sabe e o que falta esclarecer sobre o incêndio e o desabamento em São Paulo

O edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, desabou na região do Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, após um incêndio na madrugada desta terça-feira (1º). Relatos dizem que o fogo começou no 5º andar, por volta da 1h30, e o desabamento ocorreu pouco mais de uma hora depois. O local era ocupado por mais de 300 pessoas.

Veja abaixo o que se sabe sobre o caso:

Quais são as possíveis causas do incêndio?

Bombeiros e peritos trabalham com as hipóteses de explosão (alguma faísca após vazamento de gás), problemas elétricos (curto-circuito) e até criminoso (uma pessoa poderia ter ateado fogo em álcool após briga).

O secretário da Segurança, Mágino Alves, afirmou nesta quarta que um acidente doméstico é principal hipótese para o incêndio.

O acidente deixou feridos ou mortos?

Até as 11h desta quarta, não havia confirmação sobre feridos ou mortos no incidente.

Há desaparecidos?

Apenas um homem é considerado desaparecido. Os bombeiros tentavam resgatá-lo quando o prédio desabou. Vizinhos o identificaram como Ricardo, de cerca de 30 anos.

Outros 48 moradores não foram localizados, mas ainda não se sabe se eles estavam no local do acidente.

As buscas continuam?

Na manhã desta quarta, bombeiros continuavam buscando o homem desaparecido. Uma retroescavadeira estava sendo usada para retirar alguns escombros do local. As equipes de resgate também usavam câmeras instaladas em drones capazes de detectar calor.

Quantas famílias viviam no local?

O prédio era ocupado por 372 pessoas, de 146 famílias, segundo o Corpo de Bombeiros.

No dia 10 de março, a Prefeitura de São Paulo cadastrou cerca de 150 famílias que afirmavam morar no prédio, somando 400 pessoas. Desse total, 25% eram famílias estrangeiras.

Para onde foram os moradores?

A prefeitura indicou abrigos, mas muitas famílias se recusaram a ir e reivindicam moradia fixa. Elas passaram a madrugada desta quarta nas ruas e relataram frio, fome e furtos.

Por que o fogo se espalhou pelo prédio todo e de forma tão rápida?

O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros em São Paulo, disse que as condições do prédio e da ocupação podem ter contribuído para isso.

“Ele tinha elevadores que foram substituídos (retirados). Então, esses dutos de ar que eles tinham no meio, pelo fosso do elevador, eles acabam formando uma chaminé. Você tinha muito material combustível: madeira, papel, papelão, algo que fez com que essa chama se propagasse com rapidez. E a própria estrutura do prédio, sem os elevadores, formando essa chaminé, fez com que causasse o incêndio de forma generalizada na edificação”, afirmou Palumbo.

O que dizem especialistas?

Segundo Paulo Helene, professor de engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e especialista na área há 30 anos, o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida foi uma “tragédia anunciada” pela falta de sistemas de proteção antifogo, falta de ação do poder público e a estrutura mista de concreto e aço do edifício, menos resistente ao fogo.

De quem era o imóvel?

O imóvel pertencia à União, estava sem uso oficial e havia sido ocupado por grupos sem-teto. Ele chegou a abrigar a sede do INSS e da Polícia Federal. Em 1992, tinha sido tombado por ser considerado “bem de interesse histórico, arquitetônico e paisagístico”.

O edifício foi colocado para leilão em 2015, por R$ 24 milhões, mas ninguém o adquiriu. Em 2017, o imóvel foi cedido para a Prefeitura de São Paulo, para instalação da Secretaria de Educação e Cultura da cidade, segundo o Ministério do Planejamento.

A ocupação era conhecida por autoridades?

Sim. Prefeito, governador, presidente e bombeiros dizem que a situação do imóvel não era ignorada.

Há outros prédios ocupados de maneira similar?

Sim. De acordo com a Prefeitura de São Paulo, há outros 70 edifícios ocupados irregularmente na cidade.

Segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), a Defesa Civil vai fazer uma vistoria nesses locais para que a prefeitura verifique “que ações devem ser tomadas a curto prazo, se há alguma ação emergencial que precisa ser feita no curto prazo no ponto de vista de risco”.

Além do prédio que desabou, o que mais foi afetado?

O incêndio atingiu dois prédios vizinhos, e o desabamento do prédio atingiu o teto e paredes da Igreja Evangélica Luterana de São Paulo

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